E os médicos?

A Ordem dos Médicos pede um referendo e tal como em qualquer outro setor da sociedade há divisões. Mas contra ou a favor da despenalização da Eutanásia é difícil entrar médicos que se digam dispostos a praticá-la. É o caso de Sobrinho Simões. Concorda com a despenalização mas se a lei avançar garante que vai ser objetor de consciência

Maria de Belém já tinha alertado que é mais fácil fazer leis do que aplicá-las. O médico e investigador Sobrinho Simões sente-se numa posição difícil: acredita que é uma questão de tempo, a sociedade vai mesmo avançar no sentido de despenalizar a Eutanásia e acha bem, mas quando isso acontecer é um dos médicos que vai pedir objeção de consciência.

Em tese, seria até possível criar um grupo de médicos para a prática da Eutanásia ou do suicídio assistido, mas só em tese, ninguém sabe se vai ser preciso ou se vai ser possível. E entre tantas questões que se levantam quando se começa a debater este assunto em profundidade surge outra apontada por Sobrinho Simões: como lidar com os casos limite.

Num espaço de incertezas, alguém na plateia questiona a ex-ministra da saúde, Maria de Belém, sobre como evitar que a despenalização da eutanásia possa ser encarada como um incentivo ao suicídio.

A julgar pela chuva de perguntas entre quem assistiu a este primeiro debate…faz mesmo muita falta falar sobre como podemos decidir o final da vida.

Dora Pires