Será que se pode resumir em 20 minutos um debate de duas horas e meia? Não. Mas podemos tentar.

A troca de argumentos sobre o final da vida é entre um filósofo, José Gil, uma ex- ministra da saúde, Maria de Belém e dois médicos: o investigador Sobrinho Simões e o especialista em bioética, Walter Osswald. Quatro vozes que se juntaram na Faculdade de Medicina de Lisboa e marcaram o início de um ciclo de debates que há-de correr o país.

A partir de agora, o Presidente da República sai de cena. Marcelo Rebelo de Sousa patrocina esta iniciativa e pede debate aberto, esclarecido e abrangente, mas também quer ficar livre quando e se lhe chegar a Belém um diploma a despenalizar a Eutanásia.

E é de liberdade que se trata, de um direito de personalidade, na opinião Maria de Belém. A ex-ministra da saúde do PS destaca, no entanto, que nem a sociedade nem os serviços de saúde estão a fazer o seu melhor e há constrangimentos que podem enviesar o debate. Maria de Belém propõe por isso um meio caminho: nem eutanásia nem suicídio assistido, será mais prudente avançarmos no sentido da sedação paliativa ou sedação profunda até à morte.

Maria de Belém refere-se ao uso de fármacos sedativos que retiram a dor a um doente grave em grande sofrimento e sem cura que se mantém por tempo indetermiando, até à morte. Quem pode pedir, em que circunstâncias, é um lado da questão. O outro é quem administra.

Tomemos o exemplo de Sobrinho Simões, investigador, médico patologista. É, à partida um homem familiarizado com a morte, mas diz que não que lhe é ainda uma estranha. Reconhece o direito à Eutanásia, mas garante que nunca seria capaz de praticá-la.

Também médico, mas pelo contrário seguro da sua posição face à Eutanásia, Walter Osswald é especialista em bioética e mantém-se como opositor de primeira linha a qualquer tipo de morte provocada ou assistida.

Nesta conversa esteve ainda o filósofo José Gil e a sua convicção de que o conceito de autonomia já mudou.

Nesta altura os partidos remetem-se ao silêncio. O único projeto de lei que está no Parlamento foi apresentado pelo PAN, partido Pessoas, Animais e Natureza e defende a despenalização da Eutanásia. O Bloco de Esquerda apresentou um ante projeto de lei no mesmo sentido, mas não deu mais nenhum passo.